quinta-feira, 3 de junho de 2010
Boris Fausto fala da redemocratização, documentário História do Brasil, de 2002
Recorte do documentário História do Brasil, 2002, com o historiador Boris Fausto falando sobre o período da redemocratização no Brasil.
"É possível fazer a história do presente e do quase presente, isto é, de coisas que aconteceram há pouco tempo. A história imediata. Isto aproxima o historiador de um tipo de jornalismo e, deste modo, têm mais peso suas opiniões, experiências de vida e paixões". (Boris Fausto, 2002)
"A Flor de Vidro" - conto de Murilo Rubião,1965
Contista nasceu em Minas Gerais,
na cidade de Carmo de Minas.
Murilo Rubião, mestre do conto fantástico, um dos maiores autores da literatura brasileira. Sua obra contém suspense, tragédia, humor, ironia. Aos publicitários: Murilo é fonte inspiradora de criatividade.
A FLOR DE VIDRO
“E haverá um dia conhecido do Senhor que não será dia nem noite, e na tarde desse dia aparecerá a luz.” – Zacarias, XIV, 7.
Da flor de vidro restava somente uma reminiscência amarga. Mas havia a saudade de Marialice, cujos movimentos se insinuavam pelos campos — às vezes verdes, também cinzentos. O sorriso dela brincava na face tosca das mulheres dos colonos, escorria pelo verniz dos móveis, desprendia-se das paredes alvas do casarão. Acompanhava o trem de ferro que ele via passar, todas as tardes, da sede da fazenda. A máquina soltava fagulhas e o apito gritava: Marialice, Marialice, Marialice. A última nota era angustiante.
— Marialice!
Foi a velha empregada que gritou e Eronides ficou sem saber se o nome brotara da garganta da Rosária ou do seu pensamento.
— Sim, ela vai chegar. Ela vai chegar!
Uma realidade inesperada sacudiu-lhe o corpo com violência. Afobado, colocou uma venda negra na vista inutilizada e passou a navalha no resto do cabelo que lhe rodeava a cabeça.
Lançou-se pela escadaria abaixo, empurrado por uma alegria desvairada. Correu entre aléias de eucaliptos, atingindo a várzea.
Marialice saltou rápida do vagão e abraçou-o demoradamente:
— Oh, meu general russo! Como está lindo!
Não envelhecera tanto como ele. Os seus trinta anos, ágeis e lépidos, davam a impressão de vinte e dois — sem vaidade, sem ânsia de juventude.
Antes que chegassem a casa, apertou-a nos braços, beijando-a por longo tempo. Ela não opôs resistência e Eronides compreendeu que Marialice viera para sempre.
Horas depois (as paredes conservavam a umidade dos beijos deles), indagou o que fizera na sua ausência.
Preferiu responder à sua maneira:
— Ontem pensei muito em você.
A noite surpreendeu-os sorrindo. Os corpos unidos, quis falar em Dagô, mas se convenceu de que não houvera outros homens. Nem antes nem depois.
As moscas de todas as noites, que sempre velaram a sua insônia, não vieram.
Acordou cedo, vagando ainda nos limites do sonho. Olhou para o lado e, não vendo Marialice, tentou reencetar o sono interrompido. Pelo seu corpo, porém, perpassava uma seiva nova. Jogou-se fora da cama e encontrou, no espelho, os cabelos antigos. Brilhavam-lhe os olhos e a venda negra desaparecera.
Ao abrir a porta, deu com Marialice:
— Seu preguiçoso, esqueceu-se do nosso passeio? Contemplou-a maravilhado, vendo-a jovem e fresca. Dezoito anos rondavam-lhe o corpo esbelto. Agarrou-a com sofreguidão, desejando lembrar-lhe a noite anterior. Silenciou-o a convicção de que doze anos tinham-se esvanecido.
O roteiro era antigo, mas algo de novo irrompia pelas suas faces. A manhã mal des-pontara e o orvalho passava do capim para os seus pés. Os braços dele rodeavam os ombros da namorada e, amiúde, interrompia a caminhada para beijar-lhe os cabelos. Ao se aproximarem da mata — termo de todos os seus passeios — o sol brilhava intenso. Largou-a na orla do cerrado e penetrou no bosque. Exasperada, ela acompanhava-o com dificuldade:
— Bruto! Ó bruto! Me espera!
Rindo, sem voltar-se, os ramos arranhando o seu rosto, Eronides desapareceu por entre as árvores. Ouvia, a espaços, os gritos dela:
— Tomara que um galho lhe fure os olhos, diabo!
De lá, trouxe-lhe uma flor azul.
Marialice chorava. Aos poucos acalmou-se, aceitou a flor e lhe deu um beijo rápido. Eronides avançou para abraçá-la, mas ela escapuliu, correndo pelo campo afora.
Mais adiante tropeçou e caiu. Ele segurou-a no chão, enquanto Marialice resistia, puxando-lhe os cabelos.
A paz não tardou a retornar, porque neles o amor se nutria da luta e do desespero.
Os passeios sucediam-se. Mudavam o horário e acabavam na mata. Às vezes, pensando ter divisado a flor de vidro no alto de uma árvore, comprimia Marialice nos braços. Ela assustava-se, olhava-o silenciosa, à espera de uma explicação. Contudo, ele guardava para si as razões do seu terror.
O final das férias coincidiu com as últimas chuvas. Debaixo de tremendo aguaceiro, Eronides levou-a à estação.
Quando o trem se pôs em movimento, a presença da flor de vidro revelou-se imediatamente. Os seus olhos se turvaram e um apelo rouco desprendeu-se dos seus lábios.
O lenço branco, sacudido da janela, foi a única resposta. Porém os trilhos, paralelos, sumindo-se ao longe, condenavam-no a irreparável solidão.
Na volta, um galho cegou-lhe a vista.
Fonte: RUBIÃO, MURILO. A Flor de Vidro. In O Pirotécnico Zacarias. 16ª ed. São Paulo, Ática, 1993.
Conheça http://www.murilorubiao.com.br/.
"A felicidade está ligada à expressão de valores através da ação", entrevista com Eduardo Gianetti, em 2005
Prof. Eduardo Gianetti da Fonseca
Desde o final da década de 70, época em que estudava Economia na USP (onde se formou) e se sentia atraído pelas aulas de Filosofia na Faculdade de Ciências Sociais (onde também se graduou, em 1980), Eduardo Giannetti da Fonseca, PhD em Economia pela Universidade de Cambridge (Inglaterra), se debruça sobre a questão da "Felicidade". E tem dedicado muito do seu tempo para mostrar a diferentes públicos que ela é um dos ingredientes principais do sucesso, "não só do indivíduo, como também das organizações empresariais". Casado, pai de um filho e autor consagrado - escreveu sucessos como "Auto-Engano", traduzido em cinco línguas, inclusive japonês, e, claro, "Felicidade" - Giannetti faz questão de lembrar que a Economia surgiu prometendo ao Homem a "Felicidade". "Ela é um instrumento que deveria liberar o homem para perseguir fins primordiais como a realização, a felicidade e a criação", salienta.
O tema de seu próximo livro também não poderia ser mais atual - "Abordagem Filosófica sobre os Juros" deverá estar nas livrarias até o final do ano. Giannetti concedeu uma entrevista especial ao Monsanto Em Campo para, mais uma vez, mostrar que "Felicidade" e Sucesso são duas faces da mesma e única moeda.
É possível definir felicidade?
Cada ser humano tem o seu sonho e a sua noção própria do que é melhor para a sua vida. Não tenho a pretensão de responder em nome de outras pessoas, apenas a de contribuir para organizar a maneira como as pessoas pensam a sua felicidade.
Qual a diferença entre estar feliz e ser feliz?
Estar feliz é um sentimento, pré-reflexivo, é alegria, contentamento, uma sensação de bem-estar. Ser feliz é uma avaliação acerca de um caminho, de um plano de vida, envolvendo análise do caminho da existência no tempo em muitas dimensões - afetiva, profissional, espiritual.
Qual a importância da felicidade para a realização profissional e para o sucesso da empresa?
Aristóteles já dizia que o prazer aperfeiçoa a atividade. Há uma dinâmica de retro-alimentação já que, ao fazer o que gosta, a pessoa se aperfeiçoa continuamente. E isso se aplica não só ao indivíduo, à atividade individual prazerosa, mas também ao clima organizacional - que tem de ser satisfatório, abrir espaço para a realização e para o contentamento.
Com o começo da realização de estudos empíricos sobre o bem-estar subjetivo nos anos 90, a grande novidade que veio à tona é que as pessoas que se sentem bem, trabalham melhor; pessoas que se dizem felizes faltam menos ao trabalho. E uma grande descoberta foi a de que o consumo não satisfaz a busca da "Felicidade". A "Felicidade" está ligada à ação - por meio da qual as pessoas mostram seus valores e sua criatividade. Isso, na ótica da pessoa. Na ótica da empresa, a "Felicidade" permite mobilizar o que de melhor as pessoas têm.
Como as empresas podem proporcionar esse clima organizacional favorável?
Há uma série de fatores que podem contribuir para isso. O respeito pelo outro - e pelo tempo do outro - é um deles. As pessoas têm tempos diferentes, inclusive de maturação. E é preciso pensar o porquê da tecnologia (e-mails coletivos, Internet, etc) não estar proporcionando, como deveria, mais tempo para as pessoas. Não estamos "domando" a tecnologia e sim acelerando o tempo sem redundar em qualidade de vida e trabalho.
Uma das grandes urgências deveria ser, justamente, a de classificar corretamente a "urgência" de tarefas. Outro fator relevante é a confiança interpessoal - uma variável de primeira ordem. Todos estão no mesmo time, e o sucesso de um não pode depender da destruição do outro. É um erro estimular a competição destrutiva.
Quais os prejuízos decorrentes do trabalho "alienado"?
A felicidade está ligada à ação, à expressão de valores através da ação. Para a empresa, o trabalho alienado não é um bom negócio. E torna a vida do indivíduo, do funcionário, um verdadeiro tormento - ele não reage, não produz, não cria, não desenvolve seus talentos. O mundo atual, com enorme competição e mudanças tecnológicas constantes e rápidas, exige o que de melhor a pessoa tem em recursos humanos e conhecimento. Da mesma forma que a pessoa precisa se sentir integrada ao mundo, o membro de uma organização precisa se sentir integrado - caso contrário não mobiliza o que conhece. O trinômio trabalho/eficiência/realização profissional depende disso.
A realização pessoal é fundamental para o sucesso da organização?
No pós-guerra, pesquisas feitas por economistas, estimando a importância do capital humano (talento aprimorado pela educação) para o desenvolvimento e competitividade empresarial, mostraram que o capital humano (talento) e o investimento na qualificação são fundamentais para o sucesso. A eficiência e a mobilização dos talentos dispersos na empresa podem resultar nos ganhos de produtividade que farão a diferença nos resultados globais da empresa. A produtividade (relação insumo/produto) está crescendo 3,5% ao ano, o que leva uma empresa a dobrar de tamanho em 20 anos. Se as pessoas, felizes, fazem um esforço maior, e essa produtividade melhora para 5% ao ano, a empresa pode dobrar de tamanho em 14 anos. A empresa também tem que dar espaço para a realização dos valores das pessoas.
Em síntese: a realização plena das pessoas no mundo do trabalho tornou-se uma exigência econômica de um mundo altamente competitivo e com mudanças tecnológicas rápidas e constantes. Conclusão: há uma convergência entre as necessidades das pessoas e das empresas.
Como líderes de pessoas devem agir?
O líder tem de ter humildade, aprender e desejar continuar a aprender. Tem de saber ouvir, lidar com situações. Tem de saber que vai errar e ter capacidade de aprender com o erro. A grande capacidade do líder é a de aprender com a falha. O dom do líder é o de mobilizar o que de melhor existe em cada um para oferecer para a organização.
Qual o maior desafio na gestão de pessoas?
Colocar a pessoa certa no lugar certo. Existe pluralidade de talentos entre as pessoas e é preciso encontrar o espaço adequado para cada uma delas. O maior desafio é permitir que ela encontre seu espaço dentro das funções pré-definidas. A função do líder é fazer a pessoa revelar, a si própria e aos outros, o que ela tem de melhor. Para isso, ele tem de ser capaz de ver, de descobrir o potencial e os talentos das pessoas. Não é simples. O líder tem de ter a percepção de onde a pessoa pode encontrar a sua realização e não "dar exemplo a ser seguido" de felicidade.
Fonte: http://www.monsanto.com.br/monsanto/brasil/newsletter/geral/03_2005maio/edi01_noticia_afelicidade.asp
Debate entre José Aníbal-PSDB e Wellington Dias-PT, 2o. Turno 2002
Ouça abaixo o áúdio do debate ocorrido entre José Anibal e Wellington Dias, na rádio CBN , em 24 de outubro de 2002, em meio ao 2o. turno da eleição presidencial daquele ano. Na mediação, o brilhante jornalista Heródoto Barbeiro.
O Deputado Federal José Anibal, então presidente do PSDB, critica o "promessismo" do PT. Wellington Dias, a época governador eleito do Piauí diz que Lula é quem "mais conhece o Brasil".
Perceba que o discurso de Aníbal tem elementos do atual discurso de Serra para as eleições de outubro próximo, como "fazer mais", "criação do ministério da segurança pública". Aníbal expõe um discurso técnico e crítico às posturas históricas do PT.
Já Wellington, faz uma fala voltada para o emocional, ressaltando a legitimidade de Lula para fazer as "mudanças".
A histórica disputa da razão vs. emoção, presente na polarização PSDB vs. PT permanece ainda hoje em nossa política.
Fonte: http://cbn.globoradio.globo.com/grandescoberturas/ELEICOES-PRESIDENCIAIS-2002.htm#
domingo, 30 de maio de 2010
Marketing no Brasil', por Marcos Cobra,2003
Um resumo do percurso do Marketing brasileiro
(extraído da introdução do livro do Professor Marcos Cobra – Administração de Marketing no Brasil. Cobra Editora 2003).
A origem do marketing.
A expressão anglo-saxônica Marketing, deriva do latim “mercare”, que definia o ato de comercializar produtos na antiga Roma. Enquanto tudo o que se produzia era vendido, ou melhor, era comprado, não havia a necessidade de um esforço adicional de vendas e, portanto, o Marketing era desnecessário. Somente no século passado constatou-se a necessidade do Marketing... Tanto que ele foi criado. Onde? No coração do capitalismo, nos EUA, na década de 40. E de lá para cá, ninguém conseguiu fazer mais sucesso do que eles, os americanos, pelo menos nesta área.
O marketing vem evoluindo da soberania do produto, para a soberania do cliente.
“Marketing é uma forma de sentir as oportunidades de mercado e desenvolver produtos e serviços”.
Há quatro eras na história de marketing
1. A era da produção. Até meados de 1925, muitas empresas nas economias mais desenvolvidas do Oeste Europeu e dos Estados Unidos estavam orientadas pela produção. Não havia preocupação com a venda, uma vez que praticamente tudo que se produzia era vendido. Não havia preocupação com vendas e marketing não existia.
2. A era da venda. Entre 1925 e o início dos anos 50, as técnicas de produção já estavam dominadas, e na maioria das nações desenvolvidas, a preocupação era com o escoamento dos excedentes de produção. Uma empresa com orientação para vendas era aquela que assumia que os consumidores iriam resistir em comprar bens e serviços que não julgassem essenciais. Para subsidiar o trabalho dos vendedores, as empresas começam a anunciar seus produtos, na expectativa de que os consumidores abririam suas portas para receber os vendedores, principalmente os de venda domiciliar, como aspiradores de pó Electrolux, cosméticos Avon, carnê do Baú da Felicidade, enciclopédia, listas telefônicas e tantos outros produtos e serviços.
3. A era do marketing. Após a segunda guerra mundial, surge nos Estados Unidos a explosão da população denominada “baby boomer”, ou seja, com a volta dos soldados da 2ª.guerra mundial, nascem muitas crianças, fato esse animador do mercado de: fraldas, alimentos infantis, medicamentos, roupas, brinquedos etc. Logo após há uma outra explosão de teenagers – adolescentes ávidos de consumo de som, roupas, comida e uma parafernália de produtos e serviços.
4. A era do marketing digital. A Internet e o comércio eletrônico que veio na sua esteira estão mudando os hábitos de comunicação e consumo. Se consumo praticamente de tudo a partir do computador, de serviços de turismo, a compras de supermercado, roupas, eletro-eletrônicos, roupas, livros, discos enfim de tudo. É o e-ticket substituindo passagens aéreas, e inúmeros outros serviços, como vouchers de hotéis, ingresso para espetáculos musicais e teatrais, etc.
As escolas pioneiras
Quando a pioneira Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, em 1954, introduziu o conceito de marketing, o fez segundo o Professor Dílson Gabriel dos Santos acompanhada da Faculdade de Administração e Economia da Universidade S.Paulo o fez aportuguesando a expressão para “mercadologia”. Com o passar dos anos, no entanto, a palavra em inglês ganhou força e a própria EAESP acabou abandonando o neologismo e adotou o termo inglês para a disciplina que estuda as complexas relações entre consumidores e produtores de bens e serviços. Isso aconteceu no final dos anos 90.
No Brasil da década de 50, não havia ainda profissionais de Marketing. Os profissionais responsáveis por vendas faziam parte dos departamentos comerciais das empresas. Somente após a criação da EAESP da Fundação Getúlio Vargas e com os esforços de duas outras escolas também pioneiras, a Escola Superior de Propaganda, hoje ESPM, Escola Superior de Propaganda e Marketing, e a Escola Superior de Negócios do Padre Sabóia, é que as funções de pesquisa de mercado e gerência de produtos começam a ser valorizadas, deixando de ser apenas temas importantes nos currículos acadêmicos e ganhando status de gerência nas organizações industriais e comerciais.
As empresas pioneiras
Do lado empresarial, algumas empresas multinacionais como Gessy, denominada, a partir da década de 50, Gessy-Lever, a Refinações de Milho Brasil, a Johnson & Johnson, a Kibon e algumas outras começam a introduzir em seus organogramas a função de Gerente de Produto. A expressão Marketing já era de uso dessas empresas mas o acesso aos organogramas somente aconteceu a partir dos anos 60, mesmo assim, ainda como função de staff.
O todo poderoso do mercado ainda era o Gerente Comercial. Mas os anos 70 foram marcantes para o Marketing brasileiro e os profissionais formados pela EAESP–FGV começaram a assumir postos de mando na área de Marketing na Hublein, na Souza Cruz, na Kibon, na Lever, na Johnson & Johnson, na Refinações de Milho Brasil e outras empresas pioneiras na implantação de Administração de Marketing.
A adoção do conceito de marketing no Brasil
Com a maior projeção da ESPM, que antes abrigava sobretudo profissionais da área de propaganda, e com a força da EAESP e da FEA da USP, é que o Marketing no Brasil ganha expressão. Hoje, na presidência das principais empresas que atuam no Brasil, estão profissionais formados em administração de empresas com carreira em Marketing.
Surgiram então os professores pioneiros como Polia Lerner Hamburger, Orlando Figueiredo, Raimar Richers, Haroldo Bariani, Affonso Cavalcanti de Albuquerque Arantes, Alberto de Oliveira Lima, Gustavo de Sá e Silva e Bruno Guerreiro (que deixou de ser locutor do Repórter Esso para seguir a carreira acadêmica), pelo lado da EAESP da FGV; a FEA- Faculdade de Economia e Administração da USP contou com Dílson Gabriel dos Santos, Marcos Campomar, Alexandre Berendt, Geraldo Luciano Toledo; e ainda Roberto Duailibi, Otto Scherb, José Roberto Witaker Penteado, Aylza Munhoz entre outros, capitaneados na ESPM pelo Professor Francisco Gracioso.
É sobretudo graças ao esforço dessa plêiade de professores missionários, os lembrados e tantos outros que a memória não alcançou, que o Marketing no Brasil é o que é hoje. O Marketing deixou de ser tabu e chegou a uma multiplicidade de áreas - sociais, políticas, religiosas, de saúde, de cultura, de esportes - enfim, até onde a criatividade permite.
A propaganda brasileira
A propaganda brasileira é uma das mais criativas do mundo e o Marketing no Brasil, que se espelha em uma realidade de um país em crescimento acelerado, é hoje fonte de referencia mundial para a disseminação da cultura e do conhecimento mercadológico.
Vale então lembrar que a força criativa da propaganda brasileira deu forças às asas do Marketing no Brasil. Profissionais pioneiros como Milton Luz, e fundamentais como Roberto Duailibi, Alex Pericinoto, Mauro Salles, Geraldo Alonso, Renato Castelo Branco Rino Ferrari, Marcio Moreira – internacionalmente – Petrônio Correia e tantos outros. E mais recentemente, Júlio Ribeiro, Washington Olivetto, Nisan Guanaes, Eduardo Fisher, Stalimir, Roberto Justus, Afonso Serra, Agnelo Pacheco, Flávio Correia, Sergio Amato,Cristina Carvalho Pinto, Flavio Conte, Petit, Zaragoza e tantos outros que tem tornado a propaganda brasileira das mais admiradas e valorizadas
Compreender o comportamento do consumidor, entender as técnicas de pesquisa de mercado, de gerenciamento de produtos e de clientes, de administração da distribuição e logística são apenas alguns dos temas que, associados à propaganda tornam o Marketing um prato saboroso para ser degustado em assuntos sociais e profissionais.
O Marketing na América Latina
Na Argentina, a área de administração de empresas levou um tempo maior para ser definitivamente aceita, mas a Mercadotecnia do Professor Alberto Levy sempre teve ampla aceitação e prática, sendo ele hoje uma personalidade do marketing latino-americano, com mais de 40 livros editados sobre o tema Marketing e Estratégia.
Hoje o México se rivaliza com o Brasil em termos de melhores escolas de administração de empresas e de Marketing, sendo que a Universidade de Monterrey, segundo a revista América Economia, registra um desempenho que em alguns anos superou a nossa EAESP – da FGV no ranking de 1ª. Escola da América Latina, sobretudo com a Escuela de Marketing de Servicios, coordenada por Javier Renoso.
A literatura de marketing no Brasil
A grande força do marketing atual é resultado também do apoio da mídia de negócios como Exame, Gazeta Mercantil, Carta Capital, Valor Econômico, e outras da mídia especializada como: Editora Referencia – caderno Propaganda & Marketing, Marketing, Revista Propaganda, Mercado Global, Revista About, Revista Meio & Mensagem.
Livros indicados
Dentre os livros texto de marketing mais indicados para uso nos cursos de administração, destacavam-se os seguintes títulos, segundo, pesquisa realizada pela ANGRAD – Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração, em 2001, apareceram:

Dos livros pioneiros de marketing editados no Brasil de autores brasileiros destacam-se:
- Editado pela Fundação Getúlio Vargas: Mercadologia. Professores fundadores da EAESP – FGV, sob coordenação do Professor Raimar Richers;
- Editado pela Fundação Getúlio Vargas: Administração Mercadológica. Professor Raimar Richers e outros professores da EAESP-FGV;
- Editado pela Atlas: Marketing Básico. Roberto Simões.
Como se observa, a Editora da Fundação Getúlio Vargas e os professores da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV foram pioneiros na introdução da literatura de marketing no Brasil. E a Editora Atlas, uma das primeiras editoras brasileiras a se preocupar com a área de Marketing é a que mais títulos tem editado entre os livros indicados.
O Marketing no Brasil ganhou força e expressão mais ainda é um assunto de predomínio de literatura norte-americana. Na Argentina, há um melhor equilíbrio no uso de literatura de administração européia, norte-americana e argentina.
Portanto, nós, autores brasileiros de marketing, precisamos deixar de lado a baixa auto-estima e acreditar que o estudo do comportamento do consumidor, das técnicas de pesquisa de mercado, da propaganda e de outras áreas de conhecimento aplicados ao marketing pode ter uma melhor divulgação pela sua elevada aplicabilidade.
Se a propaganda brasileira e o marketing aplicado no Brasil são reconhecidos mundialmente como sendo da melhor qualidade, é preciso que os nossos professores e profissionais de Marketing deixem a timidez de lado e... publiquem!
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